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EM CASA DE FLOR CASTILLO - PERÚ
E A NOVA VIAGEM PARA CARACAS
20-09-2006
Combinamos de visitar nosso amigo, o grande diretor de teatro CARLOS CUEVAS, figura de sucesso internacional, com que havia estado em reuniões anteriores. Houve um erro de programação: ficou marcado para o dia 21, quando eu já estaria no aeroporto embarcando para Caracas... Ficou para outra oportunidade, a despedida.
Fomos para a casa da atriz Flor Castillo criatura extraordinariamente simpática, inteligente, vivaz. Uma das grandes figuras de Cuatro Tablas, mas com carreira independente, de muita notoriedade.
Sabendo que não ando muito bem do estômago, mas em plena recuperação, preparou para mim um bife de frango saudável e, de sobremesa, uma salada de frutas. Perfeito!
[ Nildo havia regressado para Brasília na noite anterior.]
Lá estavam outros atores.
O resto do dia e da noite passei com Mário vendo vídeos de dvds da extensa produção de Cuatro Tablas e tentando copiar alguns documentos audiovisuais para meus arquivos sobre Tu país está feliz. Um deles é um filme alemão, um documentário sobre o grupo que termina com a canção de nosso espetáculo que gostaríamos de publicar em nossa página na web.
Quanto ao DVD que fizeram da leitura de poemas de
Tu país está feliz na celebração dos 35 anos de Cuatro Tablas, com as homenagens que me fizeram, ficou um horror, um desastre. Lamentável. Um registro mal feito, inaproveitável.
A PARTIDA
21-09-2006
Com a mala cheia de livros e de outros documentos, fui para o aeroporto.
Nos dias que passei em Lima, neste período de fim inverno, os dias estiveram invariavelmente cinzentos, ligeiramente frios, mas amenos. Não costuma chover na cidade por causa de um fenômeno climático associado à corrente de Humboldt, mas há suficiente umidade para a vegetação. Por certo, estão começando a restaurar a camada verde dos barrancos que margeiam as praias, sem a certeza de que vão recuperar as fontes de águas (“Chorrillos”) que brotavam das encostas.
O trânsito continua enlouquecido, caótico, ruidoso mas vê-se um ímpetu de empreendedorismo de crescimento, de novas oportunidades, apesar das enormes dificuldades que ainda enfrentam os peruanos. Gente tão amável!
NAS ALTURAS
Meus amigos mais próximos estão muito preocupados com a minha decisão de ir para Caracas nas atuais circunstâncias. Sabem que fui alvo, recentemente, de “graves e constantes ameaças” de militantes “políticos” de um “país vecino” como publicamos naquela oportunidade, em nossa página web. Cheguei a entrar em contato com a polícia especializada em crimes na Internet, a fazer um dossiê para a Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República e, por e-mail, com conhecidos da própria Embaixada da Venezuela.
Não vou registrar aqui os desdobramentos do episódio, mas que se “esqueceram de mim nos últimos tempos”. Devem ter atingido seus objetivos, se não diretamente, de alguma maneira. Tampouco vou entrar em detalhes porque está devidamente descrito em textos anteriores.
É certo que me ameaçaram covardemente. Usaram uma linguagem solerte e virulenta, como nunca havia experimentado ou mesmo lido em toda e minha vida, mesmo em contos aterradores sobre a violência urbana ou sobre o terrorismo. Mas não perdi a calma nem a compostura. Chegaram até a insinuar que me “cuidasse” se pretendesse voltar ao país. Ficção macabra.
Fui desaconselhado por amigos a viajar para a (nova) estreia de “Tu país está feliz”. Ninguém garante proteção alguma. Sinceramente, é tudo um exagero. Vou com a consciência tranquila. Tenho um grande amor pela Venezuela, país que me acolheu no final da década de 60, com uma bolsa de estudos, que expandiu meus horizontes.
Formei-me em biblioteconomia pela UCV e trabalhei na Biblioteca Nacional e em bibliotecas públicas de Caracas, enquanto desenvolvia meus projetos culturais. Escrevi artigos para o jornal IMAGEM, do INCIBA e participei da montagem de meus textos com atores e técnicos do Ateneo de Caracas, de cuja diretoria cheguei a fazer parte.
Deixei a Venezuela, em 1972, para continuar meus estudos em nível de pós-graduação, com a intenção de regressar (até) me convenceram a pedir uma licença do cargo em vez de demitir-me, mas acabei viajando para a Europa e minha vida tomou outros rumos. Mas regressei a Caracas em muitas oportunidades, primeiramente com sucessivos convites da oficina local da UNESCO e, mais recentemente, por conta própria. Amo o país e hoje estou empenhado em traduzir e divulgar os poetas venezuelanos de diversas gerações e escolas estéticas, nos nosso Portal de Poesia Iberoamericana.
Venezuela está acima dessas provocações extemporâneas. O país é muito maior ou melhor que as circunstâncias bizarras de algum fanatismo.
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